sábado, 3 de janeiro de 2009

Desculpas e escolhas

Desde pequena fui testemunha de que trabalhar era da maior importância e de que isso justificava alguns comportamentos desumanos.

May Sarton


O vício do trabalho, como qualquer outro vício, é passado de geração em geração. Muitas de nós aprendemos isso em casa, com a nossa mãe e o nosso pai e nem sequer conseguimos imaginar outra forma de viver no mundo de hoje. O trabalho tem precedência sobre tudo nos nossos lares e famílias. Só nos poderíamos divertir depois de terminar o trabalho, mas o trabalho nunca terminava. Só poderíamos relaxar e cuidar de nossos interesses pessoais quando terminássemos os nossos afazeres e a casa estivesse totalmente arrumada. E, estando a casa arrumada, estávamos cansadas demais para fazer o que quer que fosse. O conceito de limpeza estava directamente ligado ao de sabtidade e muitas vezes a santidade parecia distante demais.
O trabalho sempre esteve ligado às necessidades do dia-a-dia, ao caminho do sucesso e ao sonho de vencer na vida e esses ideais justificavam tudo, até mesmo um comportamento cruel e desumano em família.
Aprendemos bem essa lição e agora temos a oportunidade de quebrar esse elo hereditário do vício no trabalho. Temos a chance de ser diferentes. Temos escolhas.

Estarei atenta, no dia de hoje, para perceber quantas vezes vou usar o trabalho como pretexto para o meu comportamento desumano.

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